Acima de tudo, “eu e você”

Acima de tudo, “eu e você”

Acima do mundo, acima do tempo, acima de todas as distâncias e diferenças que nos separam,…

“Todos os sentimentos cansam e desistem, menos o amor.
Sentimento esse tão teimoso!
Até quando passa, não acaba.
Posto de lado, jamais se conforma.
Mesmo se afogando na impossibilidade, não morre.”

nem a desilusão.
Nem a incerteza, nem a solidão…
Nada me impedirá de sorrir…
Nem o medo, nem a depressão.
Por mais que sofra meu coração…
Nada me impedirá de sonhar…
Nem o desespero nem a descrença.
Muito menos o ódio ou alguma ofensa…
Nada me impedirá de viver…
Mesmo errando e aprendendo.
Tudo me será favorável…
Para que eu possa sempre evoluir.
Preservar, servir, cantar, agradecer.
Perdoar, recomeçar…
Quero viver o dia de hoje.
Como se fosse o primeiro…
Como se fosse o último.
Como se fosse o único…
Quero viver o momento de agora.
Como se ainda fosse cedo.
Como se nunca fosse tarde…
Quero manter o otimismo.
Conservar o equilíbrio e fortalecer
a minha esperança…
Quero recompor minhas energias.
Para prosperar na minha missão,
e viver alegremente todos os dias…
Quero caminhar na certeza de chegar…
Quero lutar na certeza de vencer…
Quero buscar na certeza de alcançar.
Quero saber esperar para poder realizar,
os ideais do meu ser…

Não importa o quanto às vezes seja difícil, o quanto às vezes eu me atrapalhe, o quanto às vezes eu seja a densa nuvem que esconde o meu próprio sol, quantas vezes seja preciso recomeçar:
Eu combinei comigo não desistir de mim, e muito menos de nós dois…

É por isso que eu venho contra tudo e contra todos celebrar e agradecer a Deus pelos nossos anos de convivência…

Nana eu amo você!!!!

20130327-214731.jpg

Anúncios

A Maldição do Homem Moderno (versão online)

A Maldição do Homem Moderno (versão online) A W TOZER

Imagem

Os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a Palavra. Marcos 4:19

 

Existe uma maldição antiga que permanece conosco até hoje: a disposição da sociedade humana de ser completamente absorvida por um mundo sem Deus.

 

Embora Jesus Cristo tenha vindo a este mundo, este é o pecado supremo dos incrédulos, o qual levou o homem a não sentir – nem sentirá – a presença dEle que permeia todas as coisas. O homem não pode ver a verdadeira Luz, tampouco pode ouvir a voz do Deus de amor e verdade.

 

Temos nos tornado uma sociedade “profana” – completamente envolvida em nada mais do que os aspectos físico e material desta vida terrena. Homens e mulheres se gloriam do fato de que são capazes de viver em casas luxuosas, vestir roupas de estilistas famosos e dirigir os melhores carros que o dinheiro pode comprar – coisas que as gerações anteriores nunca puderam ter.

 

Esta é a maldição que jaz sobre o homem moderno: ele é insensível, cego e surdo em sua prontidão de esquecer que existe um Deus. Aceitou a grande mentira e crença estranha de que o materialismo constitui a boa vida. Mas, querido amigo, você sabe que o seu grande pecado é este: a presença eterna de Deus, que alcança todas as coisas, está aqui, e você não pode senti-Lo de maneira alguma, nem O reconhece no menor grau? Você não está ciente de que existe uma grande e verdadeira Luz que resplandece intensamente e que você não pode vê-la? Você não tem ouvido, em sua consciência e mente, uma Voz amável sussurrando a respeito do valor e importância eterna de sua alma, mas, apesar disso, tem dito: “Não ouço nada?”

 

Muitos homens imprudentes e inclinados ao secularismo respondem: “Bem, estou disposto a agarrar minhas chances”. Que conversa tola de uma criatura frágil e mortal! Isto é tolice porque os homens não podem se dar ao luxo de agarrar as suas chances – quer sejam salvos e perdoados, quer sejam perdidos. Com certeza, esta é a grande maldição que jaz sobre a humanidade de nossos dias – os homens estão envolvidos de tal modo em seu mundo sem Deus, que recusam a Luz que agora brilha, a Voz que fala e a Presença que permeia e muda os corações.

 

Por isso, os homens buscam dinheiro, fama, lucro, fortuna, entretenimento permanente ou apego aos prazeres. Buscam qualquer coisa que lhes removam a seriedade do viver e que os impeça de sentir que há uma Presença, que é o caminho, a verdade e a vida.

 

Eu mesmo fui ignorante até aos 17 anos, quando ouvi, pela primeira vez, a pregação na rua e entrei numa igreja onde ouvi um homem citando uma passagem das Escrituras: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim… e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11. 28,29).

 

Eu era realmente pouco melhor do que um pagão, mas, de repente, fiquei muito perturbado, pois comecei a sentir e reconhecer a graciosa presença de Deus. Ouvi a voz dEle em meu coração falando indistintamente. Discerni que havia uma Luz resplandecendo em minhas trevas.

 

Novamente, andando pela rua, parei para ouvir um homem que pregava, em um cantinho, e dizia aos ouvintes: “Se vocês não sabem orar, vão para casa, ajoelhem-se e digam: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador”. Isso foi exatamente o que eu fiz. E Deus prometeu perdoar e satisfazer qualquer pessoa que estiver com bastante fome espiritual e muito interessado, a ponto de clamar: “Senhor, salva-me!”

 

Bem, Ele está aqui agora. A Palavra, o Senhor Jesus Cristo, se tornou carne e habitou entre nós; e ainda está entre nós, disposto e capaz de salvar. A única coisa que alguém precisa fazer é clamar com um coração humilde e necessitado: “ó Cordeiro de Deus, eu venho a Ti; eu venho a Ti!”

 

 

Quando Nos Sentimos Sós Por Robert J. Tamasy

Quando Nos Sentimos Sós

Por Robert J. Tamasy

 

 

 

Jamais esquecerei minha primeira viagem a Europa! Como ia participar da Convenção Mundial do CBMC, em Rothenburg ob der Tauber, Alemanha, fiz arranjos para viajar uma semana antes e juntar-me em Budapeste aos meus tios, viajantes experientes. Estava entusiasmado para ver o país onde nasceram meus avós e visitar Giessen, Alemanha, onde nasci quando meu pai servia ao exército americano.

O voo de Atlanta decorreu sem incidentes. Mas quando aterrissamos em Stuttgart, Alemanha, o piloto avisou que o avião estava com problemas mecânicos e não poderia seguir a Budapeste. Os passageiros seriam levados a Frankfurt, a fim de conseguirem um voo alternativo.

Nunca me senti tão só! No ônibus para Frankfurt, ouvindo as pessoas conversar animadamente em alemão, eu mal entendia uma palavra. “Como vou saber de que modo conseguirei voo para Budapeste?”, pensei. “E como meu tio vai saber quando eu desembarcar? E se ele não estiver lá, o que farei? Também não falo húngaro!”

Como pode imaginar, essa primeira experiência internacional me encheu de ansiedade. Ao final, todas as minhas preocupações foram solucionadas. Aproximei-me de outros viajantes que falavam inglês e recebemos instruções sobre nossa conexão. Quando cheguei a Budapeste, meu tio, americano que falava fluentemente húngaro me esperava, embora eu tenha chegado com várias horas de atraso.

Você já experimentou algo assim? Talvez você tenha estado em meio a um grande projeto e sentiu-se isolado, sozinho,
sem ninguém a quem pedir ajuda. Ou pode ter lutado com alguma difícil questão pessoal sozinho, como turbulência no casamento, filho seriamente doente, delicados problemas financeiros ou crise na carreira. Como você se sentiu?

Aprendi que a Bíblia oferece animadoras propostas sobre o que devemos fazer em momentos de “total solidão”:

Nunca estamos sós. Podemos estar em uma multidão de milhares de pessoas e, ainda assim, nos sentirmos sós. Podemos não ver um só rosto familiar, mas Deus promete estar com Seus seguidores, onde quer que estejam. “Por isso não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; Eu o segurarei com a Minha mão direita vitoriosa” (Isaías 41.10).

Deus jamais nos abandona. Durante nossa vida, inevitavelmente nos confrontaremos com incertezas, às vezes com momentos aterradores. Mas Deus promete permanecer com Seus filhos, não importando as circunstâncias. “Sejam fortes e corajosos. Não tenham medo nem fiquem apavorados… O Senhor, o seu Deus, vai com vocês; nunca os deixará, nunca os abandonará” (Deuteronômio 31.6).

Não escapamos de Deus. Há um ditado que diz: “Você pode fugir, mas não pode se esconder”. A Bíblia diz que isso é verdadeiro em relação a Deus. Podemos estar perdidos numa grande cidade desconhecida, sozinhos em um quarto de hotel ou em nossa mesa de trabalho, sentindo-nos sobrecarregados. Não importa onde: Deus promete estar ali conosco! “Para onde me irei do Teu Espírito? Para onde fugirei da Tua face? Se eu subir ao céu, Tu aí estás; se fizer nas profundezas a minha cama,Tu ali também estás” (Salmos 139.7-8).

SÉRIE “ANTES DE TUDO PREGA O EVANGELHO” 3

SÉRIE  “ANTES DE TUDO PREGA O EVANGELHO” 3

 

 

3. O Evangelho de Deus (vs. 9,10)

. . . que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos, 10e manifestada agora pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Je­sus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho…

É notável ver Paulo passar, de repente, da referência ao “evange­lho” à afirmação central: “Deus . . . nos salvou”. É mesmo impos­sível falar do evangelho sem falar, ao mesmo tempo, da salvação. O evangelho é precisamente isto: boas novas de salvação, ou boas notícias de “nosso Salvador Cristo Jesus” (v.10).   Desde o dia do Natal, quando a boa nova de alegria foi anunciada pela primeira vez, proclamando o nascimento do “Salvador que é Cristo o Se­nhor” (Lc 2: 10-11), os seguidores de Jesus têm reconhecido o seu conteúdo essencial. Paulo mesmo nunca vacilou a esse respeito. Em Antioquia da Pisídia, na primeira viagem missionária, ele re­fere-se ao seu evangelho como a “mensagem desta salvação”. Em Filipos, na segunda jornada missionária, ele e seus companheiros foram identificados como “servos do Deus Altíssimo, que nos anunciam o caminho da salvação”. E ao escrever em Roma aos Efésios, ele intitula a palavra da verdade de “o evangelho da vos­sa salvação” (At 13:26; 16:17; Ef 1:13).

Assim, aqui, ao escrever a respeito do evangelho, Paulo usa a terminologia costumeira, isto é, que somos salvosem Cristo Je­sus por determinação, graça e chamado de Deus, não por nossas próprias obras. É que ele está expondo, nesta sua última carta, o mesmo evangelho que já expusera na sua primeira carta (Gaia­tas). Com o passar dos anos, o seu evangelho não sofreu mudan­ças; há somente um evangelho de salvação. E conquanto deva­mos traduzir os termos “evangelho” e “salvação” por expressões mais compreensíveis ao homem moderno, não podemos alterar a substância da nossa mensagem. Examinando com mais cuida­do a forma concisa com que Paulo apresenta o evangelho de Deus nestes versículos, constatamos que ele indica a sua essência (o que é o evangelho), a sua origem (de onde provém) e o seu fundamento (onde se baseia).

 

a. A essência da salvação

Precisamos juntar as três cláusulas que afirmam que Deus “nos salvou”, “nos chamou com santa vocação” e “trouxe à luz a vida e a imortalidade”. Isto explica que a salvação vai muito além do perdão. O Deus que nos “salvou” é também o que, ao mesmo tempo, “nos chamou com santa vocação”, ou seja, que nos “cha­mou para sermos santos”. O chamamento cristão é uma vocação santa. Quando Deus chama alguém para si, também o chama à santidade. A isto Paulo dera muita ênfase em suas cartas anterio­res. “Deus não nos chamou para a impureza, e, sim, em santificação”, porque todos fomos “chamados para ser santos”, chamados para viver como povo santo de Deus e separado para ele (1 Ts 4:7; 1 Co 1: 2). Sendo a santidade uma parte integrante no plano de Deus para a salvação, também o é a “imortalidade”, da qual escreve no versículo seguinte (v.10). De fato, “perdão”, “santi­dade” e “imortalidade” são três aspectos da grande “salvação” de Deus.

O termo “salvação” precisa ser urgentemente libertado do con­ceito medíocre e pobre com o qual tendemos a degradá-lo. “Sal­vação” é um termo majestoso, que evidencia todo o amplo pro­pósito de Deus, pelo qual ele justifica, santifica e glorifica o seu povo: primeiramente, perdoando as nossas ofensas e aceitando-nos como justos ao nos olhar através de Cristo; depois transformando-nos progressivamente, pelo seu Espírito, para sermos conforme a imagem do seu Filho, até que finalmente nos tornemos iguais a Cristo no céu, com novos corpos, num mundo novo. Não deve­mos minimizar a grandeza de “tão grande salvação” (Hb 2:3).

 

b. A origem da salvação

De onde provém tão grande salvação? A resposta de Paulo é: “Não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determina­ção e graça que nos foi dada em Cristo Jesusantes dos tempos eternos” (v.9). Se quiséssemos acompanhar o manancial da salva­ção até a sua origem, deveríamos então voltar para trás, através do tempo, em direção à eternidade do passado. As palavras do apóstolo são mesmo: “antes dos tempos eternos”[1] e são traduzi­das de diversas formas: “antes do princípio do mundo” (BV), “antes do tempo existir” (CIN), ou “antes de todos os séculos” (PAPF).

Para não pairar qualquer dúvida sobre a verdade de que a pre­destinação e eleição por Deus pertence à eternidade e não ao tem­po, Paulo faz uso de um particípio aorístico para indicar que Deus de fato nos deu algo (dotheisan) desde toda a eternidade, em Cris­to. O que Deus nos deu foi “a sua própria determinação e graça”, ou “a sua determinação, ou propósito, de nos dar graça”.   A sua determinação de dar a salvação não era arbitrária, mas sim funda­da em sua graça.[2] Fica claro, por conseguinte, que a fonte de nos­sa salvação não são as nossas próprias obras, visto que Deus nos deu a sua própria determinação da graça em Cristo antes que pra­ticássemos quaisquer boas obras, antes de termos nascido e de ter­mos podido fazer quaisquer obras meritórias; antes mesmo da História, antes do tempo, na eternidade.

Temos que confessar que a doutrina da eleição é matéria difí­cil para mentes finitas mas é, incontestavelmente, uma doutrina bíblica. Ela enfatiza que a salvação é devida exclusivamente à graça de Deus, e não aos méritos humanos; não às nossas obras realizadas no tempo, mas à determinação que Deus concebeu na eternidade; “aquela determinação”, como se expressa o Rev. Ellicott, “que não surgiu de algo fora dele, mas que brotou unica­mente das maiores profundezas da divina eudokia”.[3] Ou, nas palavras de E. K. Srmpson: “As escolhas do Senhor têm as suas razões imperscrutáveis, mas não se baseiam na elegibilidade dos escolhidos”.[4] Assim sendo, a divina determinação, ou propósi­to, da eleição é um mistério para a mente humana, já que não se pode aspirar compreender os pensamentos secretos e as decisões da mente de Deus. Contudo, a doutrina da eleição nunca é in­troduzida na Escritura para despertar ou para diminuir a nossa curiosidade carnal, mas sempre tendo um propósito bem prático. De um lado ela desperta uma profunda humildade e gratidão, por excluir todo o orgulho próprio. De outro lado, traz paz e segu­rança, porque nada pode acalmar os nossos temores pela nossa própria estabilidade como o conhecimento de que a nossa segu­rança depende, em última análise, não de nós mesmos, mas da própria determinação e graça de Deus.

 

c. O fundamento da salvação

 

A nossa salvação tem um firme fundamento na obra histórica efe­tuada por Jesus Cristo no seu primeiro aparecimento.   Porque, conquanto a graça de Deus nos tenha sido “dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos”, ela foi “manifestada agora”, no tem­po, “pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus”, ou seja, pelo aparecimento do mesmo Jesus Cristo. Os dois estágios divi­nos foram em e através de Jesus Cristo; a dádiva foi eterna e secre­ta, mas a manifestação foi histórica e pública.

O que então Cristo realizou, ao aparecer e manifestar a eterna determinação e graça de Deus? A isto Paulo dá uma dupla respos­ta no versículo 10. Primeiramente, Cristo “destruiu a morte”. Em segundo lugar, “trouxe à luz a vida e a imortalidade, median­te o evangelho”.

Em primeiro lugar, Cristo destruiu a morte.

“Morte” é, de fato, a palavra que bem sintetiza a nossa con­dição humana resultante do pecado. Porque a morte é o “salário” do pecado, é a sua horrível punição (Rm 6: 23). E é assim para cada uma das formas que a morte assume. A Escritura fala da morte em três sentidos: a morte física, a alma separada do corpo; a morte espiritual, a alma separada de Deus; e a morte eterna, a alma e o corpo separados de Deus para sempre. Todas as três mor­tes são devidas ao pecado; são a sua terrível, porém justa, recom­pensa. Mas Jesus “destruiu” a morte. O sentido não pode ser o de que ele já a tenha eliminado, conforme sabemos por nossa pró­pria experiência diária. Os pecadores ainda estão “mortos em delitos e pecados”, nos quais andam (Ef 2: 1-2), até que Deus lhes dê a vidaem Cristo. Todosos seres humanos morrem fisicamen­te e continuarão a morrer, com exceção da geração que estiver viva quando Cristo retornarem glória. Emuitos experimentarão a “segunda morte”, que é uma das apavorantes expressões usadas no livro do Apocalipse para designar o inferno (p. ex.: Ap. 20: 14; 21:8). Com efeito, anteriormente Paulo escrevera que a des­truição final da morte ainda se encontra no futuro, quando ela, o último inimigo de Deus, será destruída (1 Co 15: 26). Só depois da volta de Cristo e da ressurreição dos mortos é que haveremos de proclamar com júbilo: “tragada foi a morte pela vitória” (1 Co 15:54;cf.Ap21:4).

O que Paulo afirma, triunfantemente, neste versículo, é que, em seu primeiro aparecimento, Cristo decisivamente derrotou a morte. O verbo grego katargeö não permite, por si mesmo, con­cluirmos qual seja o seu significado, pois pode ser empregado com muitos sentidos, e assim só o contexto pode determinar qual o seu correto significado. Contudo, o seu primeiro e mais notável sen­tido é o de “tornar ineficiente, sem poder, inútil” ou “anular” (AG). Assim Paulo compara a morte a um escorpião, do qual se arrancou o ferrão; e também a um comandante, cujas tropas fo­ram vencidas. O apóstolo pode, portanto, levantar a sua voz em desafio:   “Onde está, ó morte, a tua vitória? onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1 Co 15: 55). Porque Cristo destruiu o poder da morte (AG).

É muito significativo que este mesmo verbo katargeö é usado no Novo Testamento com referência ao diabo e à nossa natureza decaída, assim como o é também com referência à morte (Hb 2: 14; Rm 6: 6). Nem o diabo, nem a nossa natureza decaída e tam­pouco a morte foram aniquilados; mas pelo poder de Cristo, a ti­rania de cada um deles foi destruída, de forma que os que estão em Cristo estão em liberdade.

Consideremos particularmente como foi que Cristo “destruiu” ou “anulou” a morte. X A morte física já não é mais o terrível monstro que nos pare­cia antes, e que continua ainda sendo para muitos, a quem Cristo ainda não libertou. Pelo pavor da morte eles ainda estão “sujeitos à escravidão por toda a vida” (Hb 2: 15). Já para os crentes em Cristo a morte significa simplesmente “dormir” em Cristo; e isto é, na verdade, um “lucro”, por ser o caminho para estar “com Cris­to, o que é incomparavelmente melhor”. É um dos bens que se tornam nossos, quando somos de Cristo (1 Ts 4:14-15; Fp 1:21-23; 1 Co 3: 22-23). A morte tornou-se tão inofensiva, que Jesus che­gou a afirmar que o crente, ainda que morra, “não morrerá, eter­namente” (Jo 11: 25-26). O que é absolutamente certo é que a morte jamais conseguirá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo (Rm 8:38-39).

A morte espiritual, para os cristãos, deu lugar à vida eterna, que é a comunhão com Deus, iniciada aqui na terra e que será perfeita no céu. Além disso, os que estão em Cristo “de nenhum mo­do sofrerão os danos da segunda morte”, porque já passaram da morte para a vida (Ap 2:11; Jo 5:24; e 1 Jo3:14).

Em segundo lugar, Cristo “trouxe à luz a vida e a imortalidade mediante o evangelho”. Esta é a contrapartida positiva. Foi por meio de sua morte e ressurreição que Cristo destruiu a morte.  É através do evangelho que ele agora revela o que fez, e oferece aos homens a vida e a imortalidade que para eles conquistou. Não está claro se devemos fazer distinção entre as palavras “vida” e “imortalidade”, pois podem ser sinônimas, a segunda definindo a primeira. Ou seja, a espécie de vida que Cristo nos garantiu, e que agora nos revela e nos oferece através do evangelho, é a vida eter­na, uma vida que é imortal e incorruptível. Somente Deus possui a imortalidade em si mesmo, mas Cristo a dá aos homens. Até mesmo os nossos corpos participarão dessa imortalidade, após a ressurrei­ção (1 Co 15: 42, 52-54). Assim será a herança que receberemos (1 Pe 1:4). De outro lado, como C. K. Barrett escreve: “possivel­mente ‘vida’ refira-se à nova vida, possível de ser obtida neste mun­do; e ‘imortalidade’ ao seu prolongamento depois da morte”.[5]Qualquer que seja a nossa conceituação dessas palavras, ambas são “reveladas” ou “trazidas à luz” através do evangelho. Há muitas alusões no Velho Testamento a uma vida após a morte, e alguns lampejos dessa fé, mas de maneira geral a revelação do Antigo Tes­tamento é o que o Rev. Moule chamou de “um lusco-fusco”,[6] em comparação com o Novo Testamento. O evangelho, contudo, trou­xe torrentes de luz sobre a dádiva da vida e da imortalidade, atra­vés da vitória de Cristo sobre a morte.

A fim de apreciarmos a plena força desta afirmativa cristã, pre­cisamos relembrar quem é este que a está proferindo. Quem é este que escreve com tanta segurança sobre a vida e a morte, sobre a destruição da morte e a revelação da vida? É alguém que encara a iminente expectativa da sua própria morte. A qualquer hora ele espera receber a sua sentença de morte. Já soa em seus ouvidos a sua ultimação final. Em sua imaginação já pode ver o lampejar da espada do carrasco. E, não obstante, na dura presença da morte, ele brada alto: “Cristo destruiu a morte”. Isto é fé cristã triunfante!

Como suspiramos e anelamos que a igreja de nossos dias recu­pere a sua esperança na vitória de Jesus Cristo, que proclame estas boas novas a este mundo, para o qual morte continua sendo uma palavra proibida.    A revista “The Observer” dedicou uma edição inteira ao tema “morte”, em outubro de 1968, e comentou: “Lon­ge de estar preparada para a morte, a sociedade moderna confe­riu a esta palavra o caráter de coisa não mencionável. . . aplica­mos todos os nossos talentos para nos esquivar da expectativa de morrer e, quando a hora chega, reagimos de qualquer forma, ou com excessiva trivialidade, ou até com total desespero”.

Um dos testes mais reveladores que se pode aplicar a qualquer religião diz respeito à atitude da mesma em relação à morte. Ava­liada por este teste, muito “cristianismo” por aí é achado em falta, com suas roupagens pretas, e com seus cânticos plangentes e suas missas de réquiem. É claro que morrer pode ser muito desagradá­vel e a perda de um ente amado pode trazer amarga tristeza. Mas a própria morte foi derrotada, e “bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor” (Ap 14: 13). O epitáfio adequa­do para um crente em Cristo não é a lúgubre e incerta petição, requiescat in pace (descanse em paz), mas a firme e jubilosa afir­mação: “Cristo venceu a morte”, ou para quem prefira línguas clássicas, o equivalente a isso em grego ou latim!

Tal é, pois, a salvação que nos é oferecida pelo evangelho, da qual nos apropriamosem Cristo. Caracteriza-sepela recriação e transformação do homem na santidade de Cristo, aqui e além. A origem desta salvação é o eterno propósito da graça de Deus. O seu fundamento é o aparecimento histórico de Cristo e a destruição da morte por ele.

Juntando estas grandes verdades, podemos encontrar cinco eta­pas que caracterizam o propósito salvífico de Deus. A primeira é o dom eterno da sua graça, que nos é oferecidoem Cristo. Ase­gunda é o aparecimento histórico de Cristo para destruir a morte através da sua morte e ressurreição. A terceira etapa é o convite pessoal que Deus faz ao pecador, por meio da pregação do evange­lho. A quarta é a santificação moral dos crentes pelo Espírito San­to. E a quinta etapa é a perfeição celestial final, na qual o santo chamamento é consumado.

A extensão do propósito da graça de Deus é realmente sublime, tal como Paulo o delineia, partindo da eternidade passada, passan­do pela sua realização históricaem Jesus Cristo, e culminando no cristão, que tem o seu destino final com Cristo e à semelhança de Cristo, numa futura imortalidade. Não é realmente maravilhoso que, mesmo estando o corpo de Paulo confinado ao espaço apertado de uma cela subterrânea, o seu coração e a sua mente possam elevar-se até a eternidade?

 

 

4. Nossa responsabilidade perante o evangelho divino (vs. 11-18)

 

Para o qual eu fui designado pregador, apóstolo e mestre, 12 e por isso estou sofrendo estas coisas, todavia não me envergonho; por­que sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é podero­so para guardar o meu depósito até aquele dia. 13Mantém o pa­drão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em Cristo Jesus. 14Guarda o bom depósito, mediante o Espirito Santo que habita em nós. 15Estás ciente de que todos os da Ásia me abandonaram; dentre eles cito Figelo e Hermógenes. 16Conceda o Senhor misericórdia à casa de Onesíforo, por­que muitas vezes me deu ânimo e nunca se envergonhou das minhas algemas. 17Antes, tendo ele chegado a Roma, me procurou soli­citamente até me encontrar. 18O Senhor lhe conceda, naquele dia, achar misericórdia da parte do Senhor. E tu sabes, melhor do que eu, quantos serviços me prestou ele em Éfeso.

Se perguntássemos a Paulo qual é a primeira responsabilidade de alguém em relação ao evangelho, ele responderia, sem dúvida, que é receber a boa nova e vivê-la. Mas o seu interesse aqui não se refere à responsabilidade do incrédulo, mas à do cristão perante o evangelho, depois de o ter abraçado. Paulo dá três respostas a esta pergunta:

 

a. Nossa responsabilidade de comunicar o evangelho (v. 11)

Se “a vida e a imortalidade” que Cristo conquistou são trazidas à luz “mediante o evangelho”, então, naturalmente, é imperativo que proclamemos o evangelho. Assim Paulo continua: “para o qual (evangelho) eu fui designado pregador, apóstolo e mestre”. A mesma combinação de palavras ocorre em 1 Timóteo 2: 7, e nas duas passagens Paulo usa o ego enfático, sem dúvida para ex­pressar a sua “sensação de surpresa consigo mesmo”[7] por lhe ter sido conferido tamanho privilégio.

Talvez possamos nos referir às três funções de “apóstolo”, “pre­gador” e “mestre”, dizendo que os apóstolos formularam o evan­gelho, os pregadores o proclamam como arautos, e os mestres são os que instruem de forma sistemática acerca de suas doutrinas e das implicações éticas decorrentes.

Hoje não há mais apóstolos de Cristo. Já vimos anteriormente o quanto é restrito, no Novo Testamento, o uso deste termo. O evangelho foi formulado pelos apóstolos e por eles legado à Igreja. Acha-se em sua forma definitiva registrado no Novo Testamento. Esta fé apostólica neotestamentária é normativa para a Igreja de todos os tempos e lugares. A Igreja está edificada “sobre o funda­mento dos apóstolos e profetas” (Ef 2: 20). Não há outro evange­lho. Não pode haver nenhum outro evangelho.

Embora não haja apóstolos de Cristo em nossos dias, certamen­te há pregadores e mestres, homens e mulheres chamados por Deus para se consagrarem à obra da pregação e do ensino. Notemos que eles são chamados para pregar e para ensinar o evangelho. É muito ao gosto de círculos teológicos fazer uma clara distinção en­tre o kërygma (a pregação) e o didache (o ensino). Ao kerygma corresponde essencialmente a boa nova de Cristo crucificado e ressurreto, com o apelo ao arrependimento e à fé; no didache corres­ponde principalmente a instrução ética aos convertidos. Esta distinção pode ser útil, mas é perigosa. Ela é benéfica somente se nos lembrarmos de que os dois de entrelaçam. Havia muito de didache no kërygma e muito de kerygma no didachê. Além do mais, ambos concernem ao evangelho, sendo que o kèrygma era a proclamação de sua essência, enquanto que o didache incluía as grandes doutrinas que o sustentam, assim como a conduta moral dele decorrente.

A referência a “testemunho”, no versículo 8, que já conside­ramos anteriormente, acrescenta um quarto termo a esta lista. Ele nos lembra que, embora não haja apóstolos hoje, e apesar de so­mente alguns serem chamados ao ministério da pregação e do ensino, cada crente em Cristo deve testemunhar de Jesus Cristo a par­tir de sua experiência pessoal.

 

b. Nossa responsabilidade de sofrer pelo evangelho (v. 12a)

Paulo havia ordenado a Timóteo que não se envergonhasse, mas que assumisse a sua parte de sofrimento pelo evangelho (v.8), tema este a que se dedicou no segundo capítulo desta carta. Mas agora ele enfatiza que não está exigindo de Timóteo algo que ele mesmo, Paulo, não estava preparado para suportar: “. . . por cuja causa padeço. . ., mas não me envergonho…”. Qual a razão para este relacionamento entre o sofrimento é o evangelho? Que há com o evangelho, que os homens odeiam e a ele se opõem, e que por sua causa os que o pregam têm de sofrer?

Dá-se o seguinte: os pecadores suo salvos por Deus em virtude da própria determinação e graça divina, e não em virtude das boas obras deles (v.9). O que ofende as pessoas é a imerecida gratuida­de do evangelho. O homem “natural” ou não regenerado odeia ter de admitir a gravidade do seu pecado e culpa, a necessidade da graça de Deus e a morte expiatória de Cristo para salvá-lo, e conseqüentemente a sua inegável dívida para com a cruz. É isto que Paulo entendeu por “pedra de tropeço da cruz”. Muitos pre­gadores sucumbem à tentação do silêncio com respeito a esse as­pecto. Pregam o mérito dos homens em vez de Cristo e sua cruz, e substituem um pelo outro, “somente para não serem persegui­dos por causa da cruz de Cristo” (Gl 6: 12; cf. 5:11). Ninguém consegue pregar com fidelidade o Cristo crucificado sem sofrer oposição, ou até mesmo perseguição.

 

c. Nossa responsabilidade de zelar pelo evangelho (vs. 12b-18)

Deixando de lado, por enquanto, a segunda parte do versículo 12, chegamos à dupla exortação de Paulo a Timóteo, nos dois versícu­los seguintes: “Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste” (v.13); “guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós” (v. 14). Aqui Paulo se refere ao evangelho, à fé apostólica, usando duas expressões. O evangelho é tanto um pa­drão de sãs palavras (v.13), como um depósito precioso (v.14).

“Sãs” palavras são palavras “saudáveis”. A expressão grega é empregada nos evangelhos nos casos de pessoas curadas por Jesus. Anteriormente eram deformes ou doentes; agora estavam bem ou “sãs”. Assim, a fé cristã é a “sã doutrina” (4: 3), que consiste de “palavras sãs”, por não ser mutilada ou enferma, mas “sadia”, ou “completa”. É o que Paulo mencionara, anteriormente, como sendo “todo o desígnio de Deus” (At 20:27).

Além disso, essas “sãs palavras” foram dadas por Paulo a Timó­teo num “padrão”. A palavra grega aqui é hypotyposis. A BLH traduz por “exemplo”. E o Dr. Guthrie diz que ela significa um “esboço rápido, como o faria um arquiteto, antes de lançar no pa­pel os planos detalhados de uma construção.”[8] Neste último ca­no Paulo estaria sugerindo a Timóteo que ampliasse, expusesse e tiplicasse o ensino apostólico. Parece-me que essa interpretação não se harmoniza com o contexto, principalmente num confronto com o versículo seguinte. A única outra ocorrência de hypotyposis no Novo Testamento encontra-se na primeira carta de Paulo a Ti­móteo, onde ele descreve a si mesmo como um objeto da maravi­lhosa misericórdia e da perfeita paciência de Cristo, como um “exemplo dos que haviam de crer nele” (1: 16). Arndt e Gingrich, que optaram por “modelo” ou “exemplo” como sendo a tradução usual, sugerem que essa palavra é empregada mais com o sentido de “protótipo” em 1 Timóteo 1: 16 e com o sentido de “padrão” em 2 Timóteo 1: 13. Neste caso Paulo estaria ordenando a Timó­teo que se conservasse como um padrão de sãs palavras, isto é, “como um modelo de ensino sadio”, aquilo que ouvira do apósto­lo. Isto certamente corresponde ao ensino geral da carta e reflete fielmente a ênfase da sentença na primeira palavra, “modelo” ou “padrão”.

Assim, o ensino de Paulo deve ser uma regra ou diretriz para Timóteo, da qual este não deve se afastar. Pelo contrário, deve obedecer a essa regra, ou melhor, deve apegar-se a ela com firme­za (eche). E assim deve proceder “na fé e no amor que há em Cris­to Jesus”. Isto é, Paulo não está tão preocupado com o que Ti­móteo deve fazer, mas sim com o modo como ele o fará. As con­vicções doutrinárias pessoais de Timóteo e a instrução recebida de outros, assim como as que reteve firmemente dos ensinos de Paulo, devem ser manifestadas com fé e amor. Timóteo deve pro­curar estas qualidades em Cristo: uma crença sincera e um amor pleno.

A fé apostólica não é somente um “padrão de sãs palavras”; é também o “bom depósito” (hë kalë parathtëkë). Ou como ex-pressa a BLH: “as boas coisas que foram entregues a você”.  Sim, o evangelho é um tesouro, depositado em custódia na igreja. Cris­to o confiou a Paulo; e Paulo, por sua vez, o confiou a Timóteo.

Timóteo deveria “guardá-lo”. É precisamente o mesmo apelo que Paulo lançou no final da sua primeira carta (6: 20), com a única diferença de que agora ele o chama de “bom”, literalmente “belo” depósito. O verbo (phylassõj tem o sentido de guardar algo “para que não se perca ou se danifique” (AG). É emprega­do com a idéia de guardar um palácio contra saqueadores, e bens contra ladrões (Lc 11: 21; At 22: 20). Fora há hereges prontos a corromper o evangelho e desta forma roubar da igreja o inesti­mável tesouro que lhe foi confiado. Cabe a Timóteo colocar-se em guarda.

Deveria ele guardar o evangelho com toda a firmeza possível em vista do que acontecera em Éfeso (a capital da província ro­mana da Ásia) e seus arredores, onde Timóteo se encontrava (v.15). O tempo aoristo do verbo “me abandonaram” parece referir-se a um acontecimento especial. É mais provável que tenha sido o momento da segunda detenção de Paulo. As igrejas da Ásia, onde trabalhara por vários anos, tornaram-se muito dependentes dele, e talvez a prisão do apóstolo lhes tenha incutido a idéia de que a fé cristã agora estava perdida. A reação deles talvez tenha sido repudiar Paulo ou recusar-se a reconhecê-lo. De Figelo e Hermógenes nada sabemos de concreto, mas a menção de seus nomes nos indica que possivelmente eles tenham sido os cabeças da opo­sição. De qualquer modo, Paulo via nesse afastamento das igre­jas da Ásia mais do que uma simples deserção pessoal dele; era, sim, uma rejeição à autoridade apostólica. Deve ter-lhe sido algo bastante sério, principalmente porque alguns anos antes, durante a sua permanência em Éfeso por dois anos e meio, Lucas registra que “todos os habitantes da Ásia ouviram a palavra do Senhor, e muitos creram” (At 19: 10). Agora “os que estão na Ásia” ha­viam voltado as costas a Paulo. A um grande despertamento se­guiu-se uma grande deserção. “A todos os olhos, menos aos da fé, deve ter parecido que o evangelho estava às vésperas da extin­ção”.[9]

Uma grande exceção parece ter sido um homem chamado Onesíforo, o qual repetidas vezes acolhera Paulo em sua casa (literal­mente “reanimou-o”, v.16) e que, em Éfeso, prestara-lhe muitos serviços (v.18). Onesíforo permanecera, deste modo, fiel ao signi­ficado do seu nome: “portador de préstimos”. Além disso, não se envorgonhara das algemas de Paulo (v.16), o que dá a entender que não repudiou a Paulo quando preso, e que o seguiu, e mesmo o acompanhou a Roma, procurando-o até encontrá-lo no calabouço. Paulo tinha boas razões para ser grato por este amigo fiel e co­rajoso. Não é surpreendente, pois, que se expresse por duas vezes em oração (vs. 16, 18), primeiro por sua casa (“conceda o Senhor misericórdia à casa de Onesíforo”) e depois, especificamente, por Onesíforo (“O Senhor lhe conceda, naquele dia, achar misericórdia da parte do Senhor”).

Vários comentaristas, notadamente católicos romanos, partin­do das referências à casa de Onesíforo (mencionada novamente em 4: 19) e à expressão “naquele dia”, têm argumentado que One­síforo àquela altura estava morto e que, por conseguinte, no versí­culo 18 temos uma oração em favor de um falecido. Isto, na verda­de, não passa de uma simples e gratuita conjectura. O fato de Paulo mencionar primeiro Onesíforo e depois sua casa não dá a entender necessariamente que estejam eles separados em virtude de sua morte; é mais viável crer que fosse devido à distância: Onesíforo estava ainda em Roma, enquanto que sua família perma­necia em casa, em Éfeso. “Considero que é uma oração em sepa­rado pelo homem e por sua família”, escreve o Rev. Moule, “por estarem então separados um do outro, por terras e mares . . . Não há necessidade alguma de interpretar que Onesíforo tivesse morri­do. A separação de sua família, por uma viagem, isso é o que se de­preende da passagem”. [10]

Em todo o caso, todos na Ásia, como Timóteo estava bem ciente, voltaram as costas ao apóstolo, com exceção do leal Onesíforo e de sua família. Era em tal situação de apostasia quase universal que Timóteo deveria “guardar o bom depósito” e “manter o padrão das sãs palavras”, ou seja, deveria preservar o evangelho ima­culado e genuíno. Já seria uma grande responsabilidade para qual­quer um, quanto mais para alguém com o temperamento de Timóteo. Como poderia então permanecer firme?

O apóstolo dá a Timóteo a base segura de que ele necessita. Ti­móteo não pode pensar em guardar o tesouro do evangelho com força própria; somente poderá fazê-lo “mediante o Espírito San­to que habita em nós (v.14). A mesma verdade é ensinada na se­gunda parte do versículo 12, que até aqui ainda não consideramos. A maior parte dos cristãos está familiarizada com a tradução “por­que sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia”. Estas palavras são verdadeiras e muitas outras passagens bíblicas as confirmam; quan­to à estrutura lingüística, foram traduzidas acuradamente. De fato, tanto o verbo “guardar” como o substantivo “depósito” são preci­samente as mesmas palavras no versículo 12 e no versículo 14 e ainda em 1 Timóteo 6: 20. Presume-se, então, que “o meu depó­sito” não é o que eu lhe confiei (minha alma ou eu mesmo, como em 1 Pedro 4: 19), mas aquilo que ele confiou a mim (o evange­lho).

O sentido, pois, é este:Paulo podia dizer que o depósito é “meu”, porque Cristo lho confiou. Contudo, Paulo estava persuadido de que era Cristo que iria conservá-lo seguro “até aquele dia”, quando ele teria de prestar contas da sua mordomia. Em que se baseava a sua confiança? Somente numa coisa: “eu o conheço”. Paulo conhecia a Cristo, em quem confiava, e estava convencido da ca­pacidade dele para manter o depósito em segurança: “porque sei em quem tenho crido, e estou bem certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (v.12). Cristo o confiou a Paulo, é verdade, mas o próprio Cristo cuidará do depósito. E ago­ra Paulo o está confiando a Timóteo. E Timóteo pode ter esta mes­ma segurança.

Aqui há um estímulo muito grande. Em última análise, é Deus mesmo quem preserva o evangelho. Ele se responsabiliza por sua conservação. “Sobre qualquer outro fundamento a obra da prega­ção não se sustentaria nem por um momento”.[11] Podemos ver a fé evangélica encontrando oposição em toda parte, e a mensagem apostólica sendo ridicularizada. Talvez vejamos uma crescente apostasia crescer na igreja, muitos de nossa geração abandonando a fé de seus pais. Mas não temos nada a temer! Deus nunca permi­tirá que a luz do evangelho se apague. É verdade que ele o confiou a nós, frágeis e falíveis criaturas. Ele colocou o seu tesouro em frá­geis vasos de barro, e nós devemos assumir a nossa parte na guarda e na defesa da verdade. Contudo, mesmo tendo entregue o depósi­to aos cuidados de nossas mãos, Deus não retirou as suas mãos desse depósito. Ele mesmo é, afinal, o seu melhor vigia; ele saberá preservar a verdade que confiou à Igreja. Isto nós sabemos, porque sabemos em quem depositamos a nossa confiança, e em quem con­tinuamos a confiar.


[1] pro chronön aiöniön, A mesma expressão ocorre em Tt 1: 2, com refe­rência à promessa de vida feita por Deus, cf. Rm 16:25.

[2] Veja Rm 8:28;9:11 e Ef 1:11 para outros exemplos da predestinação divina, “determinação” (prothesis) de salvação.

[3] Ellicott, p. 115; eudokia significa “grande prazer”

[4] Simpson,p. 125.

[5] Barrett, p. 95

[6] Moule, p. 50

[7] Guthrie, p. 73

[8] Guthrie, p. 132

[9] Moule, p. 16

[10] Moule, pp. 67, 68.

[11] Barrett, p. 97

PAPO DA SEGUNDA – A ESSÊNCIA DA DOR 2 – O CANTO EM LUGAR DO LAMENTO

O CANTO EM LUGAR DO LAMENTO

A minha história na terra começou com um choro estridente, pois eu já cheguei ao mundo berrando.

Mas, parece que esta é uma narrativa muito comum a todos nós. Se não estou equivocado, o bebê que não chora, quando nasce, morre. Além do que, diz um velho adágio popular: “quem não chora não mama”.

Por outro lado, a cultura deste mundo velho privilegia o lamento, o queixume, a choradeira.

A criança chorona e birrenta sempre é atendida e o nosso padrão de conduta é nos condoer de quem se lastima, fazendo da lamúria uma moeda valiosa nos negócios que pretendemos levar vantagens.

O gemido agrega mais adeptos ao partido dos coitadinhos do que o riso.

O sofrimento desperta a compaixão de outros sofridos ao formatar o sindicato dos plangentes.

Por isso, a ladainha é o estilo mais propalado na reza diária daqueles que querem chamar a atenção, e a dor de cotovelo é a cantiga número um dos chifrados.

Aí de mim é o discurso preferido das vítimas. Mas, o hinário dos filhos de Abba começa com Aleluia de Handel.

Os alforriados, mesmo sofrendo, têm sempre um canto em tom maior a entoar. Ninguém neste mundo está isento da dor e do sofrimento, embora a sua permanência tenha um tempo de validade limitado.

O salmista canta com esperança:


Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira. Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã. Salmo 30:5.

Segundo entendo, ele está dizendo que a correção é apenas por um instante, enquanto a graça é para sempre. Para os filhos repreendidos, as lágrimas secam rápido na face, ao passo que a festa da madrugada continua pelo dia eterno.

A minha tendência humana é lamentar. É chorar as pitangas. E sempre acho adeptos pela via da lamúria como companheiros neste coral dos sapos coaxando na lama, tão prontos a destoar da cantata dos redimidos.

Mas o culto dos alcançados pela graça cultiva o louvor em meio às chamas ardentes e dá concerto na cadeia escura, com os pés no tronco e os lombos lanhados.

A turma da vida que nasce da morte costuma cantar no ardor do temporal, enquanto os descendentes do velho Adão só conseguem lamentar.

Pelo canto se descobre se a ave é do dia ou da noite. As canoras cantam à luz do Sol em espetáculo melódico de alegria.

As noturnas são assombrações das trevas, além de serem agoureiras, quando grasnam, gritam e gemem os seus lamentos sombrios.

Assim, também, pela linguagem, se pode descobrir quem é filho de Deus ou quem é filho do Diabo.

Lamento dizer, lamentavelmente, que a nossa fala lamentável, que se expressa sempre por lamentação ou lamúrias, não nos coloca na condição de membros efetivos do coral dos filhos de Abba.

Cantem filhinhos amados, cantem com alegria.

Falem a linguagem da edificação. Louvem em plena tormenta, pois o nosso Pai é santo e reina entronizado entre os louvores dos seus filhos libertos e jubilosos. Aleluia.

GLENIO PARANAGUÁ

PAPO DA SEGUNDA – A ESSÊNCIA DA DOR

PAPO DA SEGUNDA  –  A ESSÊNCIA DA DOR

 

 

Dor é uma sensação desagradável, mais necessária.

Que varia desde desconforto leve a excruciante, associada a um processo destrutivo atual ou potencial dos tecidos que se expressa através de uma reação orgânica e/ou emocional.

A dor nos leva de volta a realidade da vida

A dor nos faz pensar no que seriamos sem o seu poder

A dor é mais que uma resposta resultante da integração central de impulsos dos nervos periféricos, ativados por estímulos locais.

Ela é a oportunidade que temos de errarmos menos, de sermos mais comedidos, de variarmos para sobreviver.

 De facto a dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a uma lesão real ou potencial, ou descrita em termos de tal.

Todo corpo reage e se sujeita a tal potencial emocional

Ninguém, certamente, gosta desta sensação. Entretanto, a dor é extremamente benéfica: nos alerta, imediatamente, que algo está prejudicando o nosso corpo.

Ela serve como sinal, como alerta, como um grito interior.

A dor é uma linguagem: células nervosas especializadas no sentido da dor.

“Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo”.   Jesus Cristo

Ela pode estar visível ou invisível…

“Mesmo no sorrir, o coração pode estar triste; a alegria pode findar na aflição”.  Provérbios 14:13

Mas muitas vezes a dor pode ser evitada…

Uma vez que recusastes o meu chamado e ninguém prestou atenção quando estendi a mão, uma vez que negligenciastes todos os meus conselhos e não destes ouvidos às minhas admoestações, também eu me rirei do vosso infortúnio e zombarei, quando vos sobrevier um terror, quando vier sobre vós um pânico, como furacão; quando se abater sobre vós a calamidade, como a tempestade; e quando caírem sobre vós tribulação e angústia.

Então me chamarão, mas não responderei; procurar-me-ão, mas não atenderei.

Porque detestam a ciência sem lhe antepor o temor do Senhor, porque repelem meus conselhos com desprezo às minhas exortações;

comerão do fruto dos seus erros e se saciarão com seus planos, porque a apostasia dos tolos os mata e o desleixo dos insensatos os perde.

Aquele que me escuta, porém, habitará com segurança, viverá tranquilo, sem recear dano algum.  Pv. 1. 24-33

A Sabedoria clama nas ruas, eleva sua voz na praça, clama nas esquinas da encruzilhada, à entrada das portas da cidade ela faz ouvir sua voz: e até quando os que zombam se comprazerão na zombaria?  Provérbios 1:20-21

Um grande abraço

Wagner Salles

PAPO DA SEGUNDA – A DIFERENÇA ENTRE SER UM MEMBRO E SER UM CRISTÃO

A DIFERENÇA ENTRE SER UM MEMBRO E SER UM CRISTÃO

Imagem

O Novo Testamento nos mostra que existe uma diferença entre ser um membro e ser um cristão.

Ser um cristão denota ser uma pessoa individual, enquanto que ser um membro faz referência a uma entidade Corporativa.

Alguém é cristão para si mesmo, porém alguém é membro para benefício do Corpo.

Na Bíblia há muitas expressões que têm significados opostos tais como:

  • pureza e imundície,

  • o santo e o comum,

  • a vitória e a derrota,

  • o Espírito e a carne,

  • Cristo e Satanás,

  • o reino e o mundo,

  • a glória e a vergonha;

E todos estes são termos opostos; de igual forma, o Corpo está em oposição com o indivíduo, assim como o Pai está em oposição ao mundo, o Espírito em oposição à carne e o Senhor em oposição ao diabo.

Da mesma forma o Corpo é o oposto do individualismo. Uma vez que nós vemos o Corpo de Cristo somos libertos do individualismo e já não vivemos para si, senão para o Corpo!

Ao ser liberto do individualismo espontaneamente estamos no Corpo.

O Corpo de Cristo não é uma doutrina, mas um ambiente, não é um ensinamento, mas uma vida.

Muitos Cristãos procuram ensinar a verdade acerca do Corpo, porém, poucos conhecem a vida do Corpo.

O Corpo de Cristo é uma experiência que se tem numa esfera totalmente diferente.

É possível que alguém conheça todo o livro de Romanos e ainda assim não ser justificado, de maneira semelhante.

Um homem pode conhecer com muito detalhe o livro de Efésios sem haver visto o Corpo de Cristo.

Não necessitamos de conhecimento, mas de revelação para compreender a realidade do Corpo de Cristo e para entrar na esfera do Corpo.

Somente uma revelação da parte de Deus nos pode introduzir na esfera do Corpo e só então o Corpo de Cristo chega a ser nossa experiência.

Em Atos 2 parece que Pedro estivesse pregando o Evangelho sozinho e que 3000 pessoas foram salvas por intermédio dele, porém devemos lembrar que os outros onze apóstolos estavam de pé junto com ele; o Corpo de Cristo estava pregando o Evangelho, esta não era a pregação de um só indivíduo.

 

Se tivermos a visão do Corpo, veremos que o individualismo não nos conduzirá a nenhum lado.

Saiba de uma coisa, você é diferente, portanto faça a diferença…