PAPO DA SEGUNDA – A ESSÊNCIA DA DOR 2 – O CANTO EM LUGAR DO LAMENTO


O CANTO EM LUGAR DO LAMENTO

A minha história na terra começou com um choro estridente, pois eu já cheguei ao mundo berrando.

Mas, parece que esta é uma narrativa muito comum a todos nós. Se não estou equivocado, o bebê que não chora, quando nasce, morre. Além do que, diz um velho adágio popular: “quem não chora não mama”.

Por outro lado, a cultura deste mundo velho privilegia o lamento, o queixume, a choradeira.

A criança chorona e birrenta sempre é atendida e o nosso padrão de conduta é nos condoer de quem se lastima, fazendo da lamúria uma moeda valiosa nos negócios que pretendemos levar vantagens.

O gemido agrega mais adeptos ao partido dos coitadinhos do que o riso.

O sofrimento desperta a compaixão de outros sofridos ao formatar o sindicato dos plangentes.

Por isso, a ladainha é o estilo mais propalado na reza diária daqueles que querem chamar a atenção, e a dor de cotovelo é a cantiga número um dos chifrados.

Aí de mim é o discurso preferido das vítimas. Mas, o hinário dos filhos de Abba começa com Aleluia de Handel.

Os alforriados, mesmo sofrendo, têm sempre um canto em tom maior a entoar. Ninguém neste mundo está isento da dor e do sofrimento, embora a sua permanência tenha um tempo de validade limitado.

O salmista canta com esperança:


Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira. Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã. Salmo 30:5.

Segundo entendo, ele está dizendo que a correção é apenas por um instante, enquanto a graça é para sempre. Para os filhos repreendidos, as lágrimas secam rápido na face, ao passo que a festa da madrugada continua pelo dia eterno.

A minha tendência humana é lamentar. É chorar as pitangas. E sempre acho adeptos pela via da lamúria como companheiros neste coral dos sapos coaxando na lama, tão prontos a destoar da cantata dos redimidos.

Mas o culto dos alcançados pela graça cultiva o louvor em meio às chamas ardentes e dá concerto na cadeia escura, com os pés no tronco e os lombos lanhados.

A turma da vida que nasce da morte costuma cantar no ardor do temporal, enquanto os descendentes do velho Adão só conseguem lamentar.

Pelo canto se descobre se a ave é do dia ou da noite. As canoras cantam à luz do Sol em espetáculo melódico de alegria.

As noturnas são assombrações das trevas, além de serem agoureiras, quando grasnam, gritam e gemem os seus lamentos sombrios.

Assim, também, pela linguagem, se pode descobrir quem é filho de Deus ou quem é filho do Diabo.

Lamento dizer, lamentavelmente, que a nossa fala lamentável, que se expressa sempre por lamentação ou lamúrias, não nos coloca na condição de membros efetivos do coral dos filhos de Abba.

Cantem filhinhos amados, cantem com alegria.

Falem a linguagem da edificação. Louvem em plena tormenta, pois o nosso Pai é santo e reina entronizado entre os louvores dos seus filhos libertos e jubilosos. Aleluia.

GLENIO PARANAGUÁ

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