Papo da Segunda DIFICULDADE X CONFIANÇA


Papo da Segunda

DIFICULDADE X CONFIANÇA

 

LENDO O LIVRO Confiança Sega de Brennan Manning me saltou um tema muito interessante com respeito a nossa dificuldade de confiar e a nossa confiança em meio às dificuldades, parece que estamos falando da mesma coisa mais não.

Uma coisa são as barreiras interiores frutos de nossas experiências pessoais que nos impossibilitam de crer totalmente e como consequência se entregar cegamente a esta confiança no Deus verdadeiro.

São por exemplo teses com base nos relacionamentos familiares (pessoais) e interpessoais, como colegas de tralho, pessoas com as quais não temos um relacionamento intimo. Também são frutos de nossas inseguranças, fraquezas, convicções etc.

Outra coisa é confiarmos cegamente em meio a todas estas dificuldades. E é exatamente ai que eu quero me deter um pouco mais.

O salmista no salmos 89.1 sita uma frase  que poucos tem coragem de  dizer quanto mais de cumprir: “Cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó SENHOR” (SI 89:1).

“como é difícil entoar este cântico quando um telefonema certa manhã no traz a notícia da morte de meu amigo querido”

Como é difícil se colocar na mesma condição quando o salmista no salmos 34.1 nos incentiva a provar para vermos que o Senhor é bom,principalmente no momento em que uma mãe dá a luz à um natimorto, nesta hora a ciência moderna, a intuição feminina, e até “a misericórdia de Deus” havia falhado e ela não tinha nada para que servisse de apoio”.

Louvar ao Senhor, porque Ele é bom (Sl 135.3) diz Manning em seu livro, soa tão distante quando observamos as grandes catástrofes onde milhares de mortos, famílias destruídas, dezenas de milhares de desabrigados e a economia ficou em ruínas. “A bondade de Deus não foi cantada, louvada nem provada nos casos de famílias destruídas por terremotos na Turquia e em Taiwan, vítimas cujo sofrimento é visto em todo o mundo”. “Como alguém tem coragem de propor o caminho da confiança em face da dor nua e crua, que não escolhe cor, raça nem posição social, da desordem mundial e do terror da história”?

“Qualquer autor cristão que não considere essas realidades cruéis ou as descarte como de pequena monta é ingénuo, ou desonesto, ou desligado da angústia que detona a confiança de muitos cristãos que lutam contra ela”.

“Quando a dor e o sofrimento se juntam ao monstruoso mistério do mal, chegamos a uma encruzilhada de onde não há caminho de volta”. Louis Dupré escreve:

“A absoluta magnitude do mal que nossa era tem experimentado como campos de concentração, guerras nucleares, genocídios tribais ou conflitos raciais não levanta a questão de como Deus pode tolerar tanto mal, mas nos faz perguntar como a realidade mais tangível do mal ainda permite a possibilidade da existência de Deus”.

A dor, o sofrimento e o mal constituem um divisor de águas para a comunidade da fé. Muitos evitam a questão por completo, ao passo que outros tentam substituir a confiança religiosa pela arte, pela reflexão racional ou pela especulação filosófica. Na verdade, conforme observa Dupré: “O mal convida à especulação filosófica, mas é o rochedo que faz a filosofia naufragar”. Até mesmo a teologia não tem condições de resolver o problema da mãe cujo filhinho acabou de morrer de câncer.

No capítulo 53 de seu livro profético, Isaías fala da figura misteriosa do servo sofredor, que, embora “desprezado, e o mais rejeitado entre os homens”, brutalmente agredido, “tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si”, mas ainda assim triunfou. Aleluia!! As Escrituras cristãs falam da cruz e dão testemunho de que Deus pode transformar em bem os males mais hediondos.

Além da trindade da dor, do sofrimento e do mal, acrescente-se outro grande obstáculo a uma confiança inabalável no amor misericordioso de Deus: o testemunho infeliz de cristãos ultraconservadores com suas imagens execráveis de um Deus mau. Eles falam num tom sepulcral e frívolo a respeito de uma divindade que, com prazer maldoso, lança num lago de fogo noventa por cento das pessoas criadas a sua imagem e semelhança. Igualmente repugnante é a divindade descrita pelo inigualável Philip Yancey em seu livro magistral What’s So Amazing About Grace? [Maravilhosa graça]: “Cresci com a imagem de um Deus calculista”, ele recorda, “que pesava meus atos bons e maus em balanças e sempre me achava em falta.

[…] Eu imaginava Deus como um ser distante e assustador que preferia medo e respeito em vez de amor”.

E então o sofrimento — sempre acabamos caindo de volta no tema do sofrimento. Talvez você ache que estou exagerando a enorme dificuldade para causar um efeito dramático. Mas os que andaram pela longa e solitária estrada que leva ao Calvário não pensam assim. Nem os que viveram angústias insuportáveis e recusaram-se a desistir e perder as esperanças.

O cético pode falar àquelas mulheres que, na infância, sofreram violência sexual do pai, do tio ou do irmão e agora estão tomadas de fúria, vergonha, impotência e ódio contra si mesmas.

Como as pessoas podem bater palmas e celebrar a Deus com vozes de júbilo (SI 47:2) no meio da dor, do sofrimento, da tristeza e do desespero galopante? É possível resistir e no fim transpor a desolação e a melancolia de um panorama marcado pelo mal e pela destruição?

Depois da conversão de Saulo / Paulo na estrada para Damasco, Jesus disse a Ananias: “… pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (At 9:16). Qualquer pessoa que Deus use de forma especial é sempre profundamente ferida.

Segundo Henri Nouwen, nós somos, cada um de nós, pessoas insignificantes a quem Deus chamou e dispensou sua graça (favor imerecido) para usar de modo especial. Aos olhos dele, os grandes ministérios têm tanto valor quanto os que chamam pouca atenção e não são famosos.  No último dia, Jesus olhará para nós em busca não de medalhas, diplomas ou honras, mas em busca de cicatrizes.

Aonde levamos o mau cheiro exalado pela dor, pelo sofrimento e pelo mal? A especulação filosófica e a reflexão racional naufragam nos bancos de areia da enorme dificuldade.

O único território inexplorado faz com que fixemos o olhar no vasto oceano sem fronteiras da glória de Deus. Ireneu, discípulo do apóstolo João, é nosso guia em Contra a heresia do gnos ticismo, sua obra de cinco volumes. A sempre citada primeira metade de uma oração de duas partes diz: “A glória de Deus é o ser humano plenamente vivo”. Mas a parte menos mencionada diz: “… e a vida do homem consiste em contemplar a Deus”.

Tenham todos ótima semana.

Wagner de Salles

Com base e extraído trechos do capitulo três do livro Confiança cega de Brennan manning

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