Descalibrei a sensatez


Descalibrei a sensatez


Descalibrei a sensatez,
chutei o balde da rigidez.
Quebrei a cara da fortaleza, e…
descobri que sou humano.
Sou “mano”, de mim mesmo no outro.
Descrendo, todo dia, da crença na maldade,
o que permiti-me ser fraco.
Fortificadamente fraco.
Nu na alma, de peito aberto.
Abraçando a vida, de esperança viva.
Fabricante de versos e cores.
Arauto de todas as minhas incertezas.
Olhei-me no espelho e vi um menino.
Olhei novamente e vi um homem.
O tempo passou, passou rápido.
Tão rápido que não pôde ficar.
Não sei o que verei amanhã, no espelho ou fora dele.
Não tenho medo da outra imagem.
Não me preocupo em reconhecer-me.
Não tenho vontade de parar de viver.
Pra viver, basta estar vivo hoje ou amanhã.
Pra viver, basta se desacreditar da tristeza,
agradecer o pão, assumir o perdão,
arriscar acertar, mesmo sabendo que pode errar.
Acertar não é não errar o caminho,
mas admitir o erro e voltar atrás quando necessário.
Errando também se acerta,
porque acertando se conserta a vida.
(Pablo Massolar)

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