A ESÊNCIA DO DESPREZO

A ESÊNCIA DO DESPREZO


Hoje quero falar um pouco sobre o “desprezo”
Desprezo é um intenso sentimento de desrespeito e antipatia.
Sentimento este podre por sua própria essência
É semelhante ao ódio, mas implica um sentimento de superioridade.
Superioridade cega, alimentada pelo veneno, pelo fel, pela amargura
Onde a pessoa desprezada  só tem uma consideração, a de “indigna”
Sua base quase sempre é na convicção da inutilidade das pessoas afetadas ou suas instituições
Ele surge a partir da “avaliação” de outra pessoa como inferior


Seu grande impacto é uma desvalorização persistente, fria e cruel
O valor do outro acaba, a estima e a atenção tem o seu fim
Sentimento pelo qual nos colocamos acima do temor e do desejo
Ele paralisa, castra e arranca sem piedade valores tão preciosos
A palavra, a atitude, o amor que agora menospreza e magoa
E o pior deles, o silencio, que arranca a nossa alma sorrateiramente
Talvez seja para economizar ódio, como diz Jules Renard
“O desprezo é a forma mais subtil de se vingar” Baltazar G. Morales
Jean Moliére diz que o desprezo é uma pílula, que se pode engolir, mas que se não pode mastigar sem fazer caretas


Muitos conseguem suportar a dor, a adversidade, mas poucos podem tolerar o desprezo
O não desprezar é inicio da consciência das necessidades dos outros, da sua própria necessidade.
Pois é nos pequenos desprezos seja das pessoas ou das coisas que se faz necessário a aprendizagem sobre as verdadeiras faltas da vida
Luiz Fernando Veríssimo nos ensina que nunca devemos virar a cara para os nossos acusadores, embora eles mereçam desprezo, devemos sim enfrentá-los com um olhar límpido e com um leve sorriso no canto da boca

Termino citando um lindo soneto de William Shakespeare

SONETO LXXXVIII

Quando me tratas mau e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.

Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.
Mas lucro também tiro desse ofício:

Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,
Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto.
wagner Salles – novembro de 2011
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Segredos da oração pessoal – Madame Guyon (1648-1717) Parte 3

Segredos da oração pessoal –  Madame Guyon (1648-1717) Parte 3


PENSAMENTOS DE MADAME GUYON
“A maioria dos cristãos não percebe que é chamada para uma relação mais profunda, interior, com o seu Senhor. Mas todos nós fomos chamados às profundezas de Cristo, tão certo como fomos chamados para a salvação”.

“A vida do devoto é como uma torrente que abre seu caminho descendo das altas montanhas aos vales e fendas da vida, passando por várias experiências, até finalmente chegar a experiência espiritual da morte. A partir daí, a torrente experimenta a ressurreição e uma vida de acordo com a vontade de Deus, enquanto ainda passa por vários estágios de refinamento. Por fim, a torrente encontra seu caminho em direção ao vasto, ilimitado oceano. Mesmo ai ,a torrente não torna-se totalmente unificada com o vasto oceano, até que mais uma vez, passe pelas relações finais com Deus.”
“Ao aproximar-se do Senhor, em oração, tenha o coração pleno de amor puro, um amor que nada procura para si próprio. Tenha um coração que nada retira do Senhor, mas que apenas quer agradá-Lo e fazer a sua vontade.”

“Receba pela fé o fato de que qualquer coisa que lhe aconteça é o desejo Dele para você, nesse momento. Quando for ao Senhor dessa maneira, verá que seu espírito estará em paz, não importando qual seja a sua condição. Os tempos de sequidão serão a mesma coisa que os tempos de abundância, porque você terá aprendido a amar a Deus somente porque você o Ama, não por causa de suas dádivas, nem mesmo por sentir sua presença.”
“Ó, que tu possas compreender a profundidade deste mistério e aprender os segredos da conduta de Deus, revelados às criancinhas, mas ocultos aos sábios e grandes deste mundo, que se consideram os conselheiros do Senhor, e capazes de investigar Seus métodos, e supõem que obtiveram essa divina sabedoria, oculta aos olhos de todos aqueles que vivem em si mesmos e estão envoltos em suas próprias obras. Quem, por um vivo engenho e elevadas faculdades, sobe ao Céu e pensa compreender a altura, profundidade e largura de Deus?”
“Ó Tu, Manancial de Amor! Pareces de fato tão zeloso pela salvação dos que tens comprado que preferes o pecador ao justo! O pobre pecador, que se vê vil e miserável, é, por assim dizer, forçado a detestar-se a si mesmo; e, vendo que seu estado é tão horrível, ele se lança, em seu desespero, nos braços de seu Salvador, mergulha na fonte de cura e sai dela ‘branco como a neve'”.
“Jesus Cristo foi o primeiro a entrar nessa experiência. Foi o Chefe de todos os abandonados, mas não esteve isento do cativeiro. Portanto, é impossível que tu estejas isento. Lembra-te sempre de que agradou-Lhe sair de todos os deleites que estavam ocultos no seio de Seu Pai para fazer-se o mais cativo de todos os homens. Lembra-te também que faz muito tempo que os patriarcas hebreus seguiram a mesma senda. Alegria, deleites… e cativeiro! Os primeiros crentes da nova aliança vieram e seguiram a ordem dos patriarcas e de seu Modelo divino, Jesus Cristo. Mas tu perguntarás: “Por que todos temos de passar por esse caminho? É para que todos cheguemos ao ponto da infelicidade?” Claro que não. O gozo é uma promessa na terra de Abraão, uma terra que está lá, além do cativeiro. Que terra é essa? Essa terra é possuir a Deus! Mas, ah, quanto há por fazer a fim de possuir essa terra! Há sofrimento que temos de conhecer!”


“Não se diz que não haja que atuar, senão que há que atuar em dependência do movimento da graça; a alma deve deixar-se mover pelo Espírito vivificante que há nela”.
“Não se trata de apartar-se do mundo, há que apartar-se de si mesmo”.
“Há que deixar que os homens pensem de nós o que queiram; não há que agradar os homens, senão a Deus”.
“A paz com Deus só pode ser perfeita mediante a total renúncia. Esta paz nos dá paz conosco mesmo e com o próximo”.
“A oração é o alimento da alma; quando nos privamos dela por nossa culpa, nos fazemos padecer fome a nós mesmos”.
“Sou um passarinho, sem campos, sem ar
Na minha gaiola sento-me a cantar
Para Quem aqui me aprisionou.
Bem satisfeito prisioneiro sou
E assim, meu Deus, quero Te agradar.
Aqui, nada tendo para realizar,
Todo o longo dia só posso cantar.
As minhas asas Ele amarrou,
Mas o meu canto muito O agradou,
Ainda Se curva pra me escutar.
Tu tens paciência para me escutar,
E um coração pronto para a mim amar.
Gostas de ouvir meu rude louvor
Pois sabes que o amor, quão doce amor!
Inspira todo esse meu cantar.
Preso na gaiola não posso sair,
Mas minha prisão não pode me impedir
A liberdade do coração
Que sempre voa em Tua direção,
Minh´alma livre, a Ti vai se unir.
Oh! Que gozo imenso poder me elevar
Para as alturas a Ti contemplar.
Tua vontade e desígnio amar
Minha alegria neles encontrar,
Livre, em Teus braços me aconchegar”.

Segredos da oração pessoal – Madame Guyon (1648-1717) parte 2

Segredos da oração pessoal –  Madame Guyon (1648-1717) parte 2


Jeanne-Marie Bouvier de la Motte-Guyon nasceu na França, em 1648, e foi educada em conventos e desde pequena demonstrou desejo de ser fiel ao Senhor. Mas, por ser muito bonita e por ser atraída pelo mundo, muitas vezes esqueceu suas promessas de fidelidade a Jesus.
Casou-se com um homem inválido, 22 anos mais velho que ela, em 1664. Isso levou-a a buscar comunhão íntima com Deus. Em 1668, teve a plena experiência do amor de Cristo. Depois disso perdeu o interesse pelas coisas mundanas e gastava seu tempo em oração. Em 1970, foi vítima da forma mais virulenta de varíola, que destruiu sua beleza. “Mas a devastação exterior foi contrabalançada pela paz interior”, ela testemunhou.
Até 1676, sofreu a perda de filhos, do marido, do pai e de uma grande amiga. Porém, tudo isso serviu apenas para que ela aprofundasse sua experiência com Deus. De 1674 a 1680 ela perdeu a presença de Deus, aprendendo, então, a andar por fé, não por sentimentos. Após isso, levou muitos à regeneração e a experiência da “morte do ego”. O grande número de pessoas que, após ter contato com Madame Guyon, deixaram o mundanismo, o pecado e se consagraram a Deus despertou o ciúme de líderes católicos e mestres mundanos, que passaram a perseguir Guyon, Fénelon e La Combe, membros do clero católico que receberam sua ajuda.
Embora muito popular e admirada por muitos membros influentes na corte seus pontos de vista logo foram suspeitos de heresia, foi consequentemente, perseguida e aprisionada várias vezes. Manteve uma enorme correspondência e seus trabalhos preencheram quarenta volumes. Seus escritos mais famosos foram Um Método Muito Curto e Fácil de Orar e sua Autobiografia.
Foi denunciada como perigosa e seguidora de Molinos (aprisionado na mesma época, por escritos similares). Em conseqüência, foi presa e permaneceu na prisão por meses. O rei Luís XIV pediu pessoalmente ao Bispo Bossuet, o maior e mais famoso eclesiástico da França, que a examinasse. Este “exame” se transformou numa inquisição mental. Bossuet, a mente mais poderosa da França, achava estar lidando com uma mulher tola. Bossuet encontrou uma pessoa à sua altura, ou até melhor que ele. As conclusões de Bossuet a respeito desta mulher “perigosa” levaram Luís XIV a prender Jeanne Guyon, sem ao menos inquiri-la ou notificá-la a respeito. Mesmo com seu escritos condenados pelo alto clero católico, Madame Guyon continuou seus ensinamentos e por isso foi detida quatro vezes, a última das quais por quatro anos (1694-1702). Escreveu cerca de sessenta obras e compôs poemas e hinos como: “Eu amo o Senhor, mas não com meu amor” e “Longo mergulho na Aflição”. Escreveu cartas para católicos e protestantes na França, Holanda, Alemanha e Inglaterra.

Em 1702 foi banida para Blois, onde passou o resto da sua vida a serviço do Senhor. Em 1717, aos 69 anos, faleceu, em perfeita paz.
Seus escritos como “Torrentes Espirituais”, “Experimentando as Profundezas de Jesus Cristo” e “Experimentando Deus através da Oração”, cheios de realidade espiritual, influenciaram grandemente homens como o Arcebispo Fénelon, John Wesley e Watchman Nee.
Deus a usou de forma especial para abrir caminho para a restauração da vida interior, da comunhão profunda com Ele, através da oração, da consagração plena, da santificação e do operar da cruz. Em nossos dias, estamos apenas começando a tocar no fluir das águas da verdadeira espiritualidade que Deus fez jorrar através dela.

Segredos da oração pessoal – Madame Guyon (1648-1717) .

Segredos da oração pessoal –  Madame Guyon (1648-1717) .


Coração . “Você deve aprender a orar em seu próprio coração e não sua cabeça. A mente do homem é tão limitada em sua operação, que só pode incidir sobre um objeto de cada vez, mas a oração do coração, não pode ser interrompida por certo “.


Mais fácil respirar “Precisamos saber como buscar a Deus, e isso é mais fácil e mais natural do que respirar. Através da oração você pode viver a presença de Deus com o menor esforço, quando você vive com o ar que você está respirando agora.”


A atitude certa . “Derrama o desejo do seu coração diante do Pai, e esperamos em silêncio diante dele. Deixe sempre um momento de silêncio para rezar, o Pai Celestial não quer revelar a Sua vontade. Vem para o Pai como uma criança indefesa, ferido por vários fica aquém da força para permanecer em pé, ou o poder de purificar-se.



Sem repetições . ”Não iremos cobrar-se com a repetição freqüente de formas ou frases feitas e estudadas. É muito melhor ser totalmente guiado pelo Espírito Santo”.


Seca . “Não se impaciente em sua época de seca, esperando pacientemente por Deus para fazer isso, sua vida de oração vai crescer e ser renovado. Em negligência e contentamento aprende a esperar o retorno


Entrega . “Uma fé forte produz uma entrega de largura. Delivery significa livrar de todos os desejos egoístas e preocupações, para estar em plena disposição divina. Deve apresentar ambas as coisas internas e externas. Esquece-se, só penso nele . Ao fazer isso, seu coração continuará sendo livre e em paz. “


O recém-nascido . “Quando uma criança bebe leite de sua mãe, começa a mover sua boca pequena e lábios, mas uma vez que sua comida começa a fluir em abundância, ainda é engolir sem qualquer esforço. Quem poderia acreditar que podemos receber suavemente e sem esforço nossa comida como um bebê recebe o leite? No entanto, mais em paz continua a ser uma criança recebe mais alimento. É assim que sua mente deve estar em oração, calmo, descontraído e sem esforço. “ de sua amada.”


Indignidade . “Tenha cuidado para não deixar a sua mente a longa paragem na sua fraqueza e sua indignidade. Estes sentimentos surgem a partir de um tronco excessivo orgulho e um amor para a nossa própria excelência”.


Young ”Ensinar os jovens a orar, e não pelo raciocínio ou método, mas através da oração do coração, a oração que vem do Espírito de Deus, mais do que a invenção do homem. Guie-os a orar em formulários pré-elaborados que grandes obstáculos, e se esforçar para ensinar a língua refinada de oração, você se desviou. E vós, filhos, converse com seu Pai celestial em linguagem natural. Embora seja simples para você, não para ele. Um pai é mais agradável que você fale com amor e respeito, pois vem do coração e não com palavras feitas seco e estéril. “ Madame Guyon (1648-1717) .-1717) .